Entrevista com a professora Dayane Rossa, autora do livro Oportunidade de Viver

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Sobre a autora

Dayane Rossa é bióloga, graduada em Ciências Biológicas com mes­tra­do em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais pela Universidade Es­ta­dual de Maringá (UEM). Atualmente é professora universitária. Conheceu a Cons­ci­en­ciologia em 1999 e iniciou em 2003 as atividades voluntárias no CEAEC – As­so­ciação Internacional do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia. É pes­quisadora, docente e autora de vários artigos científicos sobre a Conscienciologia e também voluntária em instituições conscienciocêntricas dedicando-se, prin­cipalmente as áreas de gestão, docência e editorial.

Sobre o livro

O livro Oportunidade de Viver, escrito por Dayane Rossa e publicado pela Editares, versa sobre a existência humana e o sentido da vida com o foco no enfrentamento e aceitação das ocorrências e contratempos naturais e inerentes ao ato de viver, às quais envolvem alegrias, sucessos e também as dificuldades e fracassos ao longo da vida.

A obra é dedicada às pessoas interessadas em viver a existência humana enquanto momento oportuno para o crescimento evolutivo, a partir do aprimoramento dos traços, ao exemplo da vitalidade e dinamismo, sem se render à acomodação, desânimo ou perda da alegria de viver.

Para compreender mais profundamente sobre o significado da vida e da morte, a autora propõe, a partir do paradigma consciencial, vários conceitos, argumentos, exemplos e reflexões para ajudar os leitores na compreensão dos questionamentos: Por que viver e Para onde vamos após a morte?

O livro também enfatiza as técnicas promotoras de reeducação íntima, a profilaxia das posturas antagônicas à vida, a necessidade de definir metas pessoais e hábitos sadios no intuito de assumir as prioridades evolutivas para que a vida seja melhor aproveitada.

A Entrevista

1. Como você acessou as ideias da Conscienciologia? Atualmente, voluntaria em qual Intituição Conscienciocêntrica?

Dayane Rossa: Conheci as ideias da Conscienciologia quando morava em Maringá, PR através de um amigo. Nesta cidade tive a oportunidade de assistir palestras públicas sobre o assunto e de fazer o curso introdutório chamado CIP (Curso Integrado de Projeciologia). Atualmente sou voluntária no CEAEC e CONSCIUS nas áreas de gestão e docência.

2. Poderia falar sobre como foi a escolha do tema para seu livro “Oportunidade de Viver: Estudo sobre a existência humana e o sentido da vida” e o que motivou escrevê-lo?

Dayane Rossa: A motivação para escrever sobre a oportunidade de viver está relacionada à busca de respostas sobre o real sentido da existência humana, em contraposição à explicação simplista que normalmente aprendemos na infância, sobre o ciclo da vida, ou seja, que este se resumiria em nascer, crescer, casar, ter filhos, plantar uma árvore, escrever um livro e morrer. Na verdade, já ao longo da minha adolescência sempre refletia sobre o significado da vida, e na época o que fazia era ler e questionar as pessoas que conviviam comigo para descobrir se a existência biológica se restringiria mesmo a esse simples ciclo. Somente aos 24 anos de idade, quando comecei a estudar as teorias da Ciência Conscienciologia, fui capaz de ampliar minha visão sobre a vida.

3. A proposta desse tema é em si, assistencial. Quem você considera ser o público alvo do livro?

Dayane Rossa: O livro é dedicado às pessoas interessadas em viver a existência humana enquanto momento oportuno para o crescimento evolutivo, a partir do aprimoramento dos traços, ao exemplo da vitalidade e dinamismo, sem se render à acomodação, desânimo ou perda da alegria de viver.

4. Você fala no livro sobre o sentido da vida e apresenta o questionamento sobre o por que nascemos. Como responder a esta pergunta?

Dayane Rossa: O questionamento sobre por que nascemos é discutido no livro a partir do enfoque evolucionista. Vamos entender bem, se considerarmos a Biologia, podemos estudar através dos pesquisadores Charles Darwin (1809–1882) e Alfred Russel Wallace (1823–1913), o conceito de evolução, porém, de maneira sucinta, o mesmo aprofunda principalmente sobre a sobrevivência do organismo mais adaptado às variações ambientais. No entanto, a evolução da consciência fica limitada, quando analisada sob a ótica materialista do paradigma da Ciência Convencional, e da Teoria Evolucionista. A ampliação dessa ideia evolucionista necessita considerar premissas de estudo da consciência de maneira mais abrangente, muito além do corpo biológico. Em síntese, o período que vivemos nesta dimensão física favorece a evolução da pessoa ao envolver a transformação gradual da mesma ao longo do tempo, a partir das experiências vivenciadas através dos veículos de manifestação (soma, psicossoma, energossoma e mentalsoma). Outro fator é que na maioria dos casos, esquecemos quem fomos em outras vidas, ou seja, a vida humana promove níveis de restringimento mnemônico. Porém, em detrimento do nosso grau de maturidade, essa falta de lembrança pode ser muito útil. Vamos considerar o exemplo das pessoas que nos prejudicaram em outras vidas. Como seria esse convívio se lembrássemos de tudo isso? Assim, esse esquecimento diminui a carga emocional (mágoas, ressentimentos), possibilita a convivência sadia entre nós e a resolução de problemas do passado (interprisões). Dentro desta lógica, podemos argumentar que uma única vida seria inviável para a pessoa poder melhorar suas características pessoais ou temperamento, ou resolver as pendências do passado ou de outras vidas, e assim precisaria renascer várias vezes ao longo da sua evolução para poder com isso consolidar aprendizados e superar as interprisões. Em outras palavras, poderíamos dizer que nascemos para transformar para melhor a nós mesmos e ao mesmo tempo auxiliar nossos colegas evolutivos a também melhorarem. Ninguém perde ninguém ao longo do caminho evolutivo e em algum momento vamos precisar atender aqueles que deixamos para trás ou prejudicamos. Isso é uma questão de tempo e lucidez.

5. Você fala sobre o sentido da vida. Algumas patologias e dificuldades, sejam emocionais, físicas ou sociais, fazem com que algumas pessoas desanimem e não deem o devido valor às suas vidas. O que você considera essencial para que a pessoa reencontre sentido em suas vidas?

Dayane Rossa: De maneira geral, a maioria das pessoas dedica boa parte da vida a metas comuns, tais como, a construção da casa, a compra do carro, a formação de uma família, a estabilidade profissional e a formação educacional. Porém, em alguns casos isso pode já não ser suficiente, e mesmo assim é possível existir um grande vazio ou a sensação de ser necessário realizar algo a mais. Dessa forma, considero que para a pessoa reencontrar o sentido da vida é necessário ampliar as experiências pessoais sobre temas, muitas vezes evitados, a exemplo de: O que é a vida? Para onde vou após a morte? Porque nascer se vamos morrer? Esses temas suscitam reflexões sobre a transformação gradual da pessoa ao longo do tempo, a correção dos desacertos grupocármicos a ampliação das atividades assistenciais e a utilização lúcida dos veículos de manifestação da pessoa (soma, energossoma, psicossoma e mentalsoma). Quando a pessoa reflete e vivencia esses assuntos, possivelmente acaba concluindo que uma única vida não é suficiente para que a transformação ocorra, e desse modo, necessitamos de ciclos sucessivos de ressoma e dessoma. Assim, à medida que a pessoa alcança esse nível de autoconscientização sobre a vida, quer aproveitar evolutivamente da melhor maneira possível, por isso a oportunidade de viver.

Círculo Mentalsomático no Tertuliarium, no dia do lançamento do livro (Foto: Dayane Rossa)
Círculo Mentalsomático no Tertuliarium, no dia do lançamento do livro (Foto: Dayane Rossa)

6. Nas oportunidades que temos de aprender, nos vários momentos do dia, e da vida, como você vê o papel das amizades evolutivas?

Dayane Rossa: Formamos amigos desde pequenos e isso acaba nos influenciando ao longo da vida, tanto positivamente, quanto negativamente. Quando a amizade é positiva ou evolutiva é possível fortalecer laços de interconfiança cada vez maiores entre as consciências. Isso é necessário ao aprendizado coletivo (reeducação mútua) e também potencializa as tarefas da proéxis grupal em função do nível de afinidade entre as pessoas. Outra coisa interessante, a partir do convívio sadio, é a formação e manutenção de um holopensene favorável ao desenvolvimento de uma série de atividades inerentes a próexis de cada um de nós, como por exemplo, a docência conscienciológica, o tenepessimo, o desenvolvimento do parapsiquismo, a escrita de verbetes, artigos e livros que possam auxiliar mais pessoas.

7. E as Reciclagens Intraconscienciais? Em que momentos você se deu conta de que seria imprescindível rever traços ou até mesmo valores e prioridades?

Dayane Rossa: O investimento na reciclagem intraconsciencial foi colocado como prioridade quando me dei conta da real abrangência da reeducação recíproca, que é o efeito de as consciências instruirem-se mutuamente, por meio do exemplarismo individual e grupal. Nesse momento, percebi a responsabilidade de cada um de nós perante conscins e consciexes, e aqueles trafares sem investimento na reciclagem, ficaram cada vez mais latentes e isso motivou o investimento nas recins que tenho feito nos últimos anos aos quais estou dedicada a estudar mais a consciência, incluindo eu mesma. Particularmente gosto muito da frase de Thomas Edison (1847–1931), que usei no livro e que ilustra bem a premência das reciclagens íntimas: – “Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do Planeta, nós continuaremos selvagens”. Por analogia podemos propor uma nova abordagem que seria: “Enquanto não investirmos nossos esforços na supressão de trafares e, ao mesmo tempo, a aplicação cosmoética dos trafores continuaremos ainda muito primatas”.

8. Poderia falar da importância da autopesquisa nesse contexto de reciclagens e o que recomenda a quem está acessando as ideias da Conscienciologia através do seu livro?

Dayane Rossa: No livro destaco uma seção com várias técnicas conscienciológicas que podem auxiliar a pessoa que está interessada em se conhecer melhor e mudar. A que gostaria de ressaltar é a Técnica do Passo a Passo da Recin, pois foi adotada por mim para otimizar a recin pessoal. Esta técnica, consiste na anatomização e detalhamento das quatro fases da autoconsciencioterapia: Autoinvestigação, Autodiagnóstico, Autoenfrentamento e Autossuperação, objetivando expandir as variáveis de autopesquisa e auxiliar o pesquisador a organizar e enfrentar as renovações pessoais. No livro o leitor pode encontrar os detalhes de cada fase proposta e tem condições de identificar se em algum traço pessoal já alcançou a superação.

9. Você escreveu uma seção com cinco capítulos sobre o antagonismo à vida. Que exemplos poderia citar para ilustrar essa abordagem?

Dayane Rossa: Esses cinco capítulos vão tratar sobre uma série de exemplos que constituem de algum modo uma ação, atitude ou hábito doentio das pessoas que podem causar lesões ou até mesmo diminuir o período de vida. Explicito no livro situações ao longo da existência, muitas vezes, camufladas pelo prazer, ação, aventura, coragem ou estilo que evidenciam o desprezo à própria vida (são as chamadas pessoas riscomaníacas). Vamos aos exemplos: uso de anabolizantes, alcoolismo, anorexia, paraquedismo, rachas, tabagismo ou uso de drogas. A depressão também é um assunto tratado no livro, pois vemos a cada dia o aumento do número de pessoas que sucumbem à depressão, ficando sem ânimo para enfrentar os desafios e dificuldades da vida, e de maneira geral, desperdiçando a oportunidade de viver. Por outro lado, esses capítulos tem o propósito de ajudar o leitor interessado a refletir sobre as suas posturas que de alguma forma evidenciam algum tipo de banalização da vida, desperdício de oportunidades de reconciliação com pessoas, grupos e membros da família consanguínea e, ao mesmo tempo, também dificultam o esclarecimento através do exemplo pessoal.

10. A capa do livro mostra a imagem de uma borboleta, figura muitas vezes associada à mudanças e transformações. Você quis passar essa ideia ou tem outro significado?

Dayane Rossa: Eu queria que o livro tivesse uma imagem que representasse a vida, fosse alegre e ao mesmo tempo indicasse de maneira ilustrativa as mudanças que a existência humana oportunizam. Por isso a escolha da borboleta e da pupa que conseguem agregar o conjunto da ideia.

Lançamento do livro no Tertuliarium (Foto: Dayane Rossa)
Dayane Rossa no dia do lançamento do seu livro no Tertuliarium (Foto: Dayane Rossa)

11. Em breve você estará lançando seu livro em outras cidades. Como está sua agenda de lançamentos e qual sua expectativa em relação a compartilhar suas experiências de modo mais próximo, com os leitores?

Dayane Rossa: A obra continuará a ser lançada em Foz do Iguaçu na Feira do Livro da cidade e através de palestras em livrarias e faculdades. O lançamento também acontecerá na Bienal Internacional do Livro a ser realizada em São Paulo em agosto, além de outras cidades do Brasil. Com relação à expectativa, acho que estou mais curiosa para ouvir as dúvidas, críticas, debater pontos do livro e principalmente aprender com as experiências de pessoas que ainda não tive a oportunidade de conhecer e conviver.

12. Uma mensagem aos leitores.

Dayane Rossa: Em síntese o objetivo da obra Oportunidade de viver foi agrupar informações que pudessem ajudar o leitor a compreender a vida de maneira diferente, passando a valorizar e utilizar o tempo da vida humana para investir na renovação íntima, a partir, por exemplo, das inúmeras técnicas apresentadas ao longo dos capítulos, para poder rever posicionamentos e comportamentos pessoais antagônicos à vida, investir na definição de metas pessoais para conseguir efetivar as priorizações evolutivas e, desse modo, conseguir vivenciar um envelhecimento equilibrado estando tranquilo para o momento da morte (dessoma).

Ficha Técnica:

Título: Oportunidade de Viver: Estudo sobre a existência humana e o sentido da vida │ Editora: Editares │Ano de Publicação: 2014 │ Formato 23 x 16 cm │ 328 páginas │ ISBN: 9788598966-90-8.

* Entrevista cedida à Eliane de Pinho, via e-mail, no período de 14 a 18 de julho de 2014, para o Portal da Conscienciologia.